sexta-feira, 19 de junho de 2020

Poesia de Miguel Torga


Poesia de Miguel Torga

Adolfo Correia da Rocha, mais conhecido pelo pseudónimo Miguel Torga, foi um otorrinolaringologista e escritor do século XX.
Os temas das obras de Miguel Torga são a problemática religiosa, o sentimento telúrico, o drama da criação do poeta e o desespero humanista. Em relação ao desespero humanista e à problemática religiosa, Torga preocupa-se que com os humanos e revolta-se com Deus. Acredita que nenhum Deus é digno de louvor mas sim os humanos, pois, para Deus, omnisciente, é muito fácil ser virtuoso, e enquanto ser sobrenatural não se opõe qualquer dificuldade para fazer a natureza - mas o homem, por outro lado, é limitado, finito, exposto à doença, à miséria, à desgraça e à morte e é capaz de se impor à natureza. É por isso que Torga acha que o único a ser digno de adoração é o homem. Para além disso, Torga muitas vezes questiona a existência de Deus. Torga questiona-o sem verdadeiramente crer que esteve questionando Deus (nega Deus e ao mesmo tempo questiona-o). Um exemplo disso é o poema “Desfecho”.
No que toca ao sentimento telúrico, a terra é para Torga como o ventre materno, recuperadora das forças. O telurismo de Torga exprime-se em constantemente no seu apelo à terra. A fraternidade do povo e a consciência de português e de ibérico exprimem o telurismo de Torga. Um exemplo disso é o poema “ São Leonardo de Galafura”.
Em relação ao drama da criação poética, para Torga a poesia é liberdade e a religião humana. Nos poemas “ Orfeu Rebelde” e “Mudez” está presente o drama da criação poética. No primeiro, Torga fica revoltado com os outros poetas por não serem felizes e não se importarem com os seus cantos e no segundo, Torga mostra-se desapontado consigo mesmo por não conseguir exprimir os seus sentimentos nos seus poemas.
Gostei de algum problemas de Torga, principalmente "Mudez", pois, por vezes, não conseguimos exprimir os nossos sentimentos por mais que queiramos. 

O Gebo e a Sombra, Raúl Brandão

O Gebo e a Sombra, Raul Brandão

A obra intitula-se O Gebo e a Sombra e é da autoria de Raul Brandão. É um texto dramático dividido em quatro actos.
Gebo regressa de uma viagem de negócios, trabalhava numa Companhia Auxiliar, e é recebido por Sofia, sua nora, e Doroteia, sua esposa. Esta última enche-o de perguntas sobre seu filho, João, que desaparecera de casa há 8 anos. Porém, Gebo esquiva-se das perguntas para não magoar Doroteia, que vivia numa ilusão que seu filho partira para melhorar a situação da família. Com a falta de respostas, Doroteia revolta-se com o seu marido e sai a chorar. Ao ficar sozinho com Sofia, Gebo confessa ter visto João nas sombras da noite. Quando Gebo estava sozinho no escritório, João aparece subitamente em casa. Doroteia fica feliz com a presença do seu filho. A maleta que contém dinheiro que Gebo trouxe do seu trabalho chama a atenção de João. Este não resiste e rouba a maleta quando estava de noite e estavam todos deitados. Sofia tenta impedi-lo, mas sem sucesso. Gebo assume a responsabilidade  por seu filho e é preso. Após três anos, João tinha regressado há algum tempo, Gebo estava nos últimos dias de prisão e a Sofia trabalhava numa fábrica para sustentar a família. 
Gostei desta obra pois tem muitas reflexões existencialistas tais como “…Será a vida só uma? Só uma?...” e muitas outras e também pela forma como Raul Brandão consegue caracterizar uma sociedade através das dass personagens. Recomendo vivamente a leitura deste livro. 

Poesia de Mário de Sá-Carneiro

Mário de Sá-Carneiro - Poemas escolhidos

Mário de Sá-Carneiro foi um poeta, contista e ficcionista português do fim do século XIX e início do século XX. Foi um dos grandes representantes do modernismo em Portugal e um dos mais conhecidos escritores membros da revista literária Orpheu, a qual integrou juntamente com o seu grande amigo Fernando Pessoa.
A sua poesia caracteriza-se sobretudo pela presença da melancolia e da insatisfação pessoal perante a sua vida. Anseia e busca a dispersão, sendo isso possível de interpretar nos seus poemas.
O narcisismo é outra característica dos seus poemas, narcisismo esse que pode ser considerado resultado das suas carências emocionais que o conduziram à sensação de solidão.
A incapacidade de viver aquilo que idealizava, visível sobretudo no poema "Quási", a insatisfação face ao presente e o tom sombrio sobressaem nos seus poemas.
Gostei muito de ler e analisar os poemas de Mário de Sá-Carneiro. Identifiquei-me com algumas das suas sensações, como por exemplo, o sentimento de incapacidade pessoal.
Muitos poetas possuem também este tom melancólico e deprimente, mas, na minha opinião, no caso de Mário de Sá-Carneiro, o mesmo traduzia isso de uma forma diferente, mais subtil, mas ao mesmo tempo mais real e mais fácil de ser compreendida, chegando até ao ponto de me causar empatia.
Recomendo genuinamente a leitura dos poemas deste escritor.


O Avejão, de Raul Brandão

O Avejão, de Raul Brandão


    Para o Projeto Individual de Leitura de Literatura Portuguesa, foi-me proposta pela professora da disciplina a leitura de uma das obras de Raul Brandão, nomeadamente, O Avejão.
Partindo do conceito de 'avejão', que é uma espécie de assombração, devo dizer que me interessei imediatamente pela obra. 
   O Avejão é um texto dramático que apresenta uma história em que as personagens principais são o avejão e a Velha.
   Neste texto, Raul Brandão apresenta-nos uma situação na qual uma mulher já com a sua idade  se encontra à beira da morte. 
O Avejão surge como uma sombra, com o objetivo de a levar para o "além". Depois de lhe revelar o porquê da sua visita, a mulher começa a inventar desculpas para não ser levada, dizendo que realmente não viveu a vida como queria. O Avejão acaba por lhe dizer que tudo o que fez na vida foi inútil e que provavelmente depois de morrer o céu e o inferno não existem. 
    De uma forma geral, Raul Brandão apresenta através da sua escrita a sua opinião sobre a vida e a morte, dizendo que tudo o que fizemos até agora pode ter sido inútil.

segunda-feira, 8 de junho de 2020

«Miura» in Bichos, Miguel Torga


O conto que li é da autoria de Miguel Torga, tem como título "Miura" e pertence ao livro Bichos.
O conto tem como protagonista Miura, um touro a quem foi tirada a liberdade e o levaram para participar de uma tourada. Miura foi colocado num curro o que o faz sentir preso, encurralado e ficar furioso por não conseguia sair. Com as saídas dos outros touros para a arena, Miura relembra o seu passado na lezíria ribatejana, sítio em que se criara e fora livre. O touro sente-se cada vez mais angustiado e com medo devido aos sons das palmas, gritos e música. Ao entrar na arena, Miura sente-se nervoso e agitado, mas estes sentimentos logo são substituídos por fúria. Miura consegue atacar o toureiro uma vez e fere-o. Depois de algum tempo, já cansado deixa-se vencer e entrega-se o seu cruel destino, a morte. 
Gostei deste conto pois relata o quanto o ser humano consegue ser insensível a ponto de fazer coisas cruéis a um animal apenas para sua diversão. Também nos mostra que, tal como nós, os animais têm sentimentos. 

A Castro, de Júlio Dantas

A Castro de Júlio Dantas - Manuseado - www.manuseado.pt

O livro que li tem como título A Castro e é da autoria de Júlio Dantas.
Este texto é sobre uma das mais emocionantes histórias de amor portuguesas, a história de Inês de Castro e do rei D. Pedro.
De todas as versões e livros existentes que nos relatam esta história, este texto dramático de Júlio Dantas dá-nos uma perspetiva diferente, pois nesta a figura do rei Afonso IV, pai de Pedro, é-nos apresentada de uma forma menos cruel e mais emocional.
Inês e Pedro, caracterizados de uma forma que pretende dar ênfase à sua paixão, amam-se contra a vontade do rei Afonso IV e dos seus fidalgos nobres, pois, segundo os mesmos, Inês era a perdição do reino. O ódio dos fidalgos era tanto que foram eles próprios quem aconselharam o rei Afonso IV a matar Inês, conselho este que deixa o rei desconfiado, pois para ele, Inês era inocente e não havia lei nenhuma que a condenasse.
Certo dia, Inês conta às suas amas que tinha tido um sonho e que nesse sonho a mesma era morta devido ao descontentamento do povo perante o seu amor. Pouco tempo depois, as amas de Inês vêm avisá-la que el-rei estava prestes a chegar e que vinha acompanhado pelos seus fidalgos e por uma pequena multidão.
Mal chega, o rei Afonso IV depara-se com Inês prostrada diante de si pedindo piedade. Inês suplica por si e pelos seus filhos, teme pela dor que a sua morte irá causar a Pedro.
Afonso IV mostra-se sentimental e nega-se a condenar Inês, mas os seus fidalgos afirmam que justiça tem de ser feita pelo reino. Ao virar costas para ir embora, o rei Afonso IV vê os seus fidalgos a correr na direção de Inês tirando as suas espadas da bainha.
O sonho de Inês tinha acontecido verdadeiramente, fora assassinada, deixado assim para trás a sua paixão e os frutos da mesma, os seus filhos.
Ao saber desta notícia, D. Pedro cai num grande choro, gritando e prometendo a Inês que iria fazer dela rainha.
Gostei muito deste livro, porque, na minha opinião, a história de Inês e Pedro é intemporal e nunca é demais ler sobre a mesma. Esta história de amor, que acaba de forma trágica, contraria as histórias de amor perfeitas e demasiado romantizadas, o que para mim é um ponto positivo, pois isto só prova que o amor da vida real é um sentimento que pode curar como também pode ferir.


O Alfageme de Santarém, de Almeida Garrett


Este é o segundo livro que leio da autoria de Almeida Garrett e digo-vos já que adorei ambas as obras.
Relativamente à obra Alfageme de Santarém, no meu ponto vista, esta história é extremamente interessante pelo facto de a obra nos transmitir uma mensagem, demonstrando-nos que devemos seguir o caminho da justiça/verdade assim como fez o próprio Fernão Vaz, sendo reconhecido então como Alfageme de Santarém por ser um homem humilde, honesto e determinado. Apesar de Fernão Vaz saber que não conseguiria alcançar alguns dos seus objetivos, nunca desistiu e foi à luta.
Este foi o motivo pelo qual esta obra fez despertar em mim um grande interesse porque, sinceramente, hoje em dia acho que não existem muitas pessoas tão sinceras como o Alfageme de Santarém.
Recomendo muito a leitura deste livro, porque acho que em algum aspeto pode ajudar alguma pessoa a reflectir sobre as suas atitudes e a procurar ser uma pessoa melhor.

terça-feira, 5 de maio de 2020

Tenório in Bichos, Miguel Torga




O conto que li tem como título «Tenório», é da autoria de Miguel Torga e encontra-se presente no livro Bichos.
Tal como os outros contos, o protagonista da história é um animal, neste caso, é um galo.
Ainda mal tinha acabado de nascer, os donos de Tenório já achavam que o mesmo iria ser um bom galo e, por isso, não iria estar sujeito ao destino de ser morto para os alimentar. Assim foi, Tenório cresceu forte, saudável e com umas lindas e coloridas penas das quais o mesmo se orgulhava, o mesmo se dizia da sua crista vermelha e dos enormes esporões das suas patas.
Tais características faziam com que Tenório fosse o verdadeiro «mulherengo» da capoeira, pois não havia galinha alguma que lhe resistisse.
O seu vozeirão fazia-se sentir tão claramente que até acabava por espantar os seus próprios donos. Mas, com o passar dos dias, Tenório sente-se inseguro e com receio ao perceber que a sua dona elogiava cada vez mais o seu filho, que herdara do pai a voz cristalina e o porte altivo, pois Tenório já se encontrava envelhecido.
Tudo isto piorou quando viu aproximar-se da capoeira a sua dona, que levava na mão uma faca. Prevendo o seu destino, Tenório soube que tinha chegado a sua hora.
Gostei muito deste conto, porque a vida humana pode ser comparada com a vida de Tenório. Todos temos um início e um fim e entre esse percurso estamos sujeitos também a ser substituídos.
Este conto também pode ser uma metáfora das pessoas que constantemente sentem necessidade de se sentirem únicas e superiores, esquecendo-se que todo o poder é efémero assim como a própria vida.

sexta-feira, 20 de março de 2020

Arquipélago, de Joel Neto


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O livro que li é da autoria de Joel Neto e tem como título Arquipélago.


Esta obra centra-se na historia de um homem, José Artur Drumonde, que tem a sua vida desorganizada em Lisboa, daí regressar para a Ilha da Terceira, ilha natal de onde partira com os seus pais após o sismo de 1980 (o qual este não sentiu), em busca de salvação para os seus problemas ,tais como a instabilidade da sua carreira, o seu divórcio e não ter um relacionamento muito saudável com o seu filho. Após encontrar a casa de seu avô na Terceira, começa a remodelá-la, encontrando um cadáver na cave e descobrindo, assim, segredos da sua família. Ao longo da obra, José consegue reconstruir um relacionamento saudável com a sua ex-mulher e com o seu filho, além de começar a trabalhar num projeto. 
Recomendo a leitura desta obra pois aborda temas curiosos, como rituais que implicam sacrifícios, o mito da Atlântida, o terramoto de 1980, etc. Além disso, e o autor utiliza uma linguagem popular, própria das ilhas, como a expressão “Home", o que torna esta obra muito mais interessante.

segunda-feira, 16 de março de 2020

Mensagem - Fernando Pessoa


A obra que li tem como título Mensagem e é da autoria de Fernando Pessoa.
Este livro no seu todo é uma obra constituída por inúmeros poemas, que têm como temática principal os feitos do povo português. Ao longo da obra é possível relacionar os poemas de Fernando Pessoa com a obra de Luís de Camões, Os Lusíadas. Escolhi esta obra essencialmente por ser de um autor muito conhecido a nível geral, mas desconhecido de mim, pois nunca tinha lido nenhum livro do mesmo. Embora esta seja a minha primeira vez a ler Fernando Pessoa, devo dizer que a sua escrita e principalmente a temática são muito interessantes.
Os poemas desta obra não apresentam continuidade, referindo-se a diversos episódios e personagens da história de Portugal. Todos estes visam glorificar os antepassados dos Portugueses. A fundação do reino português, os reis portugueses, os feitos que glorificaram o nosso país, destemidas personagens da história que se destacam pelo seu contributo para a afirmação do reino português, as descobertas marítimas e não marítimas realizadas, bem como a riqueza do reino português são os elementos fundamentais que contribuem para a temática desta obra.
Gostei muito da obra, essencialmente por glorificar o nosso país. Esta obra faz com que não nos esqueçamos da luta que os nossos antepassados tiveram até nós conhecermos o país como ele é hoje. É uma chamada de atenção aos mais esquecidos sobre quem um dia foi Portugal. Recomendo vivamente a leitura desta obra.

sábado, 7 de março de 2020

As Pupilas do Senhor Reitor - Júlio Dinis


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O livro que li tem como título As Pupilas do Senhor Reitor e é da autoria de Júlio Dinis.
Esta obra conta-nos a história de duas jovens irmãs, Clara e Margarida, que, como eram órfãs, estavam sob o cuidado e vigilância de um tutor escolhido pelos já falecidos pais. O senhor reitor, pároco da aldeia onde a história é narrada, tinha sido o escolhido. O mesmo era reconhecido por toda a população como uma pessoa de grande saber e influência. 
Ao mesmo tempo que nos é apresentada a história destas duas irmãs, há destaque para uma outra família, a de José das Dornas, lavrador abastado, que era viúvo e tinha dois filhos, Pedro e Daniel. 
Pedro, o mais velho, é sempre descrito como o mais forte e robusto e, pelo contrário, Daniel é apresentado como sendo o mais frágil e incapaz. 
Considerado o mais debilitado face às tarefas árduas de lavrador, Daniel é conduzido por seu pai e pelo senhor reitor ao mundo dos estudos, começando primeiramente pelo latim e caminhando mais tarde para a medicina, a qual teria de ser estudada no Porto, onde Daniel acaba por se tornar cirurgião. Com essa partida para o Porto, Daniel deixa para trás a sua infância, as suas memórias e principalmente a sua paixão, Margarida, sendo esta um dos principais motivos para a sua partida, visto que esse amor infantil não era de agrado nem do pai de Daniel, nem do tutor de Margarida.
Gostei muito deste livro, posso dizer que foi dos mais cativantes e interessantes que li até ao momento. Na minha leitura destacou-se sobretudo a personagem de Margarida, devido ao seu carácter benevolente que se manifesta nas suas atitudes moralmente corretas. Esta é também uma das razões para minha recomendação deste livro.


terça-feira, 3 de março de 2020





Embora seja esta a primeira vez que tinha lido qualquer obra de um autor açoriano, achei este livro muito interessante.
O livro que estive a ler é da autoria de Joel Neto e fala sobre como é a vida no campo, como o próprio título indica.
Achei esta obra muito interessante porque a própria história faz-nos ver como o mundo está dividido em dois. Isto porque o autor desde o início da obra faz grandes comparações entre a vida da cidade e a vida no campo usando apenas simples coisas, sendo que estas coisas acabam por ser mínimas. Como o próprio autor refere, viver no campo é viver feliz, apesar de a vida no campo não ser tão desenvolvida como a vida na cidade, pelo menos no campo ainda se mantêm algumas tradições o que é completamente ao contrário ao que acontece na cidade. A cidade é caracterizada por ser um espaço escuro, onde as pessoas passam a maior parte do seu tempo focados apenas no seu trabalho.
Recomendo a leitura deste livro para todos os que se encontram interessados, pois se reflectirmos bem esta é uma das situações que enfrentamos actualmente.

terça-feira, 19 de novembro de 2019

Bichos ( "Nero"), de Miguel Torga

O texto que estive a ler é um conto do livro Bichos, de Miguel Torga. Este conto tem como personagem principal um cão, cujo nome é Nero, sendo este nome o título do conto. Este cão encontra-se já às portas da morte, esperando o seu último sopro, devido à idade avançada. Quando ele se apercebe que a sua hora está a chegar, começa a reviver os momentos que teve ao longo da sua vida, tanto os bons como os maus. Ao mesmo tempo fica pensativo, apercebendo-se das saudades que terá dos seus donos, apesar de estes terem sido rudes para com ele no período em que lhe tentavam impor regras, mas este não sente que irá fazer falta aos seus "proprietários". Apesar de tudo isto e das fases más, este bicho acabou por falecer em paz, pois, quando estava prestes a dar o último suspiro, viu a sua dona aproximar-se do seu velho corpo e a chorar. É assim que Nero acaba por falecer em paz e feliz, pois pensava que os seus donos estavam impacientemente à espera do seu falecimento para colocarem alguém mais novo no seu lugar.
Podemos assim concluir que este conto é visto como uma metáfora, pois é através da vida de um cão que já se encontra no seu tempo terminal que observamos a visão do autor sobre a vida humana, ou seja, identificamos que um ser humano pode ter uma vida feliz, simples e que deixe marcas tal e qual um cão doméstico.
Gostei em particular deste conto por ter uma perspetiva sobre a vida humana e sobre o típico contraste vida/morte e ainda sobre a questão existencial ( sentido da vida).

As intermitências da morte, de José Saramago

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O livro que li tem como título As intermitências da morte e é da autoria de José Saramago.
Nesta obra, é-nos apresentado um cenário hipotético onde a morte deixa de existir ou atuar. Como consequência da inexistência da morte, o caos e a desordem surgem. A partir deste acontecimento a morte começa a ser encarada de forma distinta, começa a ser vista como uma necessidade e não propriamente como algo dispensável e desnecessário, expressando assim que a vida necessita da morte. 
Inserida neste mesmo enredo, surge uma história entre a própria Morte e um velho violoncelista. Acabada a intermitência, a Morte retorna à sua ativa função, tendo desta vez que entregar uma carta (este era o método alertar as pessoas para a sua ida deste mundo) a um velho violoncelista que suscita curiosidade e sentimentos à cruel e temível Morte.
Este livro é muito interessante, pois apresenta-nos uma história diferente. Recomendo a leitura desta obra, especialmente porque José Saramago antropomorfizou a Morte, atribuindo-lhe características morais, o que, de facto, convida ao prosseguimento da leitura. 

A viagem do elefante, de José Saramago

A obra que estive a ler é da autoria de José Saramago , o seu título é  A viagem do elefante.
Esta obra retrata a viagem de um elefante chamado Solmão e do seu cornaca, que, vindos da Índia para Portugal, tiveram como destino Viena.
Esta acção tem lugar no reinado de D. João III. Solmão pertencia ao rei e à rainha D. Catarina, mas estes já tinham perdido o interesse no elefante, pois este já tinha deixado de ser uma novidade no reino. Assim, lembraram-se do convite de casamento do arquiduque de Viena e decidiram oferecer Solmão como presente de casamento. Momentos após ter abdicado de Solmão, D. João mostrou um pouco de arrependimento.
Para ser possível a chegada do elefante a Viena, este teve de fazer um longo percurso com vários percalços, mas, mesmo com inúmeros contratempos, nomeadamente terem faltado animais para carregar os alimentos do elefante para que ele pudesse chegar ao pé do arquiduque são e salvo, este chegou a Viena . Ao chegarem ao seu destino, o elefante e o seu cornaca foram muito bem recebidos pela cidade inteira, e foi durante o cortejo de boas-vindas que Solmão agiu como um herói salvando com a sua tromba uma menina de cinco anos que se tinha soltado das mãos dos seus pais e fugido para o meio do cortejo com o risco de o elefante a esmagar. Porém, ao invés disso, ele agarrou-a e levantou-a no ar, como se estivesse a dizer que estava tudo bem. Foi nesse momento que pudemos ver todo o povo de Viena, incluindo o arquiduque, espantados com este feito de Solmão.
Tal como referi no início, Viena foi o destino de Solmão, foi lá que este acabou por falecer dois anos mais tarde, durante o inverno. Em relação ao cornaca, este tomou rumo de regresso a Lisboa, só que nunca houve registo nem notícias de tal chegada, presumindo-se que este tenha mudado de rumo ou então falecido pelo caminho.

segunda-feira, 10 de junho de 2019

A Queda Dum Anjo, Camilo Castelo Branco



Antes de começar a falar propriamente da obra em si, devo dizer que achei a leitura deste livro um pouco complicada de entender, mas recomendo vivamente aos amantes de drama e de política a leitura do mesmo.
A Queda Dum Anjo é um romance satírico da autoria de Camilo Castelo Branco, escrito em 1866, cujo assunto predominante é a corrupção política, essencialmente a corrupção de Calisto Elói de Silos, personagem principal. Calisto, o protagonista da história, começa por ser apresentado como um simples fidalgo conservador, que representa em si o povo português. Mais tarde, Calisto foi eleito deputado. Quando isto aconteceu ele foi para Lisboa onde fica fascinado pelos altos cargos e pela luxúria que lá predominam. Calisto deixara para trás a sua esposa, e quando o luxo e ambição tomaram conta dele, ele deixou ser o "anjo" e começou um relacionamento extra-conjugal com uma prima do Brasil (Ifigénia), que veio para Portugal após o falecimento do marido.
A verdadeira "queda do anjo" deu-se quando Calisto, de posição política miguelista, se muda para o partido liberal do governo abandonando, os seus princípios e os do povo que o elegera. Passado algum tempo, a sua esposa vai à sua procura, depois de ter notado que ele se tinha transformado num amante frio e distante. Quando chegou perto dele ele já não queria saber dela e mais tarde, quando ela o procura novamente, ele está com a amante em Paris. Teodora, esposa do protagonista da obra, começa um relacionamento com um primo interesseiro, após os seus desgostos.
Assim sendo, conseguimos perceber o porquê do nome da obra: vimos ao longo do livro alguém que era bom tornar-se numa pessoa má e desprezível.

Cem poema de Sophia - Sophia de Mello Breyner Andresen






O livro que li tem como título Cem Poemas de Sophia e, como o título indica, é da autoria de Sophia de Mello Breyner Andresen. Neste livro reúnem-se cem poemas dos mais representativos da obra de Sophia, cujo principal aspecto é dar a conhecer o essencial de uma poesia que todos os portugueses devem ler e amar. 

A maioria dos poemas apresenta como tema a natureza, quer pelas referências ao mar, quer pelas referências ao campo. Acrescento também que vários são os poemas com referências a figuras mitológicas, como por exemplo, Apolo, Kassandra, Dionysos, Orpheu, Eurydice, etc... 

Gostei muito deste livro, pois Sophia é uma das minhas escritoras de eleição e a partir deste livro pude ler poemas fantásticos da sua autoria que eu desconhecia. Aconselho a leitura deste livro pois todos os poemas apresentam temas super interessantes. A linguagem do livro é super acessível, raramente tive a necessidade de recorrer ao dicionário.

Uma Família Inglesa - Júlio Dinis



 O livro que estou a ler tem como título Uma Família Inglesa e foi escrito por Júlio Dinis. A obra retrata uma família inglesa que veio para Portugal no século XIX, época marcada pelo negócio do famoso vinho do Porto. 
É no Porto que Carlos Whitestone , filho de Mr. Richard, um grande comerciante inglês, se apaixona por Cecília, uma moça bela de 18 anos, cujo pai era guarda-livros do escritório da família Whitestone. Essa paixão à primeira vista deu-se num baile de Carnaval, onde Carlos e Cecília se encontraram pela primeira vez. Sem saber quem era aquela bela moça, pois a mesma estava mascarada, Carlos conta a sua irmã Jenny o que se tinha passado naquela noite. Depois de descobrir que a apaixonada de Carlos era a sua amiga Cecília, Jenny tenta protegê-la, pois receia que esta paixão seja apenas mais uma aventura do irmão. Contudo, ao se aperceber que estava errada, acaba por ajudá-los a chegar à felicidade. 
 Estou a gostar do livro pois a paixão entre Carlos e Cecília é motivadora e deslumbrante, não sendo a típica paixão dos romances literários. 
  Acabo assim por recomendar a leitura deste livro, não se vão arrepender de lê-lo pois não é tão aborrecido como pode aparentar ser. Outra curiosidade que o livro apresenta é o facto de conter algumas expressões e vocábulos ingleses.



 

Amor de Perdição - Camilo Castelo Branco




O livro que li tem como título Amor de Perdição e é da autoria de Camilo Castelo Branco. O livro relata uma história de amor entre dois jovens cujas famílias são rivais, Simão e Teresa quer longe ou perto amaram-se sempre. Para evitar esse mesmo amor, o pai de Teresa envia-a para um convento e mete Simão na prisão, pois este tinha matado o primo de Teresa para evitar que a mesma se casasse com ele. Mesmo distantes, os enamorados comunicavam através de cartas, cartas essas completamente emotivas e comoventes.
Para finalizar, gostei muito do livro apesar de não ser grande fã de histórias amorosas. Aconselho a leitura deste livro a todos os jovens que apreciam romances finalizados tragicamente. Realço também que a linguagem do livro requer por vezes a solicitação de um dicionário.

quarta-feira, 3 de abril de 2019

A segunda vida de Francisco de Assis, de José Saramago


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Começo por aconselhar a leitura deste livro, pois é muito interessante pelo facto de contar a história da vida de um santo.
A segunda vida de Francisco de Assis é da autoria de José Saramago. Este livro é um texto de teatro onde se apresenta a história de um santo, Francisco de Assis.
Inicialmente, encontram-se em cena o presidente da empresa e os membros do conselho a discutir sobre o que devem ou não fazer para melhorar o gráfico. Estão "sobre a mesa" duas hipóteses: melhorar o produto ou preparar-se os agentes. Assim se entra no mundo da "política", segundo José Saramago.
Passado um tempo, Francisco de Assis, que se encontra supostamente morto, reaparece diante a sua mãe e mais tarde às restantes pessoas. À medida que o tempo passa, vai tentando destruir a companhia, pois esta estava rica e, como fundador da mesma, queria voltar a fazer o que fazia, ou seja, ajudar os pobres e não acumular riqueza.
Com esta peça, José Saramago faz mais uma crítica à Igreja Católica: a companhia de S. Fancisco de Assis é a própria Igreja, que não pratica os princípios de solidariedade e de generosidade pregados por Jesus Cristo, da mesma forma que a companhia, em vez de ajudar os pobres, enriquecera.
É de salientar que Francisco de Assis foi um frade católico da Itália. Depois de uma juventude irrequieta e mundana, voltou-se para a vida religiosa de completa pobreza, fundando a ordem mendicante dos frades Menores, mais conhecidos como Franciscanos.