segunda-feira, 8 de junho de 2020

«Miura» in Bichos, Miguel Torga


O conto que li é da autoria de Miguel Torga, tem como título "Miura" e pertence ao livro Bichos.
O conto tem como protagonista Miura, um touro a quem foi tirada a liberdade e o levaram para participar de uma tourada. Miura foi colocado num curro o que o faz sentir preso, encurralado e ficar furioso por não conseguia sair. Com as saídas dos outros touros para a arena, Miura relembra o seu passado na lezíria ribatejana, sítio em que se criara e fora livre. O touro sente-se cada vez mais angustiado e com medo devido aos sons das palmas, gritos e música. Ao entrar na arena, Miura sente-se nervoso e agitado, mas estes sentimentos logo são substituídos por fúria. Miura consegue atacar o toureiro uma vez e fere-o. Depois de algum tempo, já cansado deixa-se vencer e entrega-se o seu cruel destino, a morte. 
Gostei deste conto pois relata o quanto o ser humano consegue ser insensível a ponto de fazer coisas cruéis a um animal apenas para sua diversão. Também nos mostra que, tal como nós, os animais têm sentimentos. 

A Castro, de Júlio Dantas

A Castro de Júlio Dantas - Manuseado - www.manuseado.pt

O livro que li tem como título A Castro e é da autoria de Júlio Dantas.
Este texto é sobre uma das mais emocionantes histórias de amor portuguesas, a história de Inês de Castro e do rei D. Pedro.
De todas as versões e livros existentes que nos relatam esta história, este texto dramático de Júlio Dantas dá-nos uma perspetiva diferente, pois nesta a figura do rei Afonso IV, pai de Pedro, é-nos apresentada de uma forma menos cruel e mais emocional.
Inês e Pedro, caracterizados de uma forma que pretende dar ênfase à sua paixão, amam-se contra a vontade do rei Afonso IV e dos seus fidalgos nobres, pois, segundo os mesmos, Inês era a perdição do reino. O ódio dos fidalgos era tanto que foram eles próprios quem aconselharam o rei Afonso IV a matar Inês, conselho este que deixa o rei desconfiado, pois para ele, Inês era inocente e não havia lei nenhuma que a condenasse.
Certo dia, Inês conta às suas amas que tinha tido um sonho e que nesse sonho a mesma era morta devido ao descontentamento do povo perante o seu amor. Pouco tempo depois, as amas de Inês vêm avisá-la que el-rei estava prestes a chegar e que vinha acompanhado pelos seus fidalgos e por uma pequena multidão.
Mal chega, o rei Afonso IV depara-se com Inês prostrada diante de si pedindo piedade. Inês suplica por si e pelos seus filhos, teme pela dor que a sua morte irá causar a Pedro.
Afonso IV mostra-se sentimental e nega-se a condenar Inês, mas os seus fidalgos afirmam que justiça tem de ser feita pelo reino. Ao virar costas para ir embora, o rei Afonso IV vê os seus fidalgos a correr na direção de Inês tirando as suas espadas da bainha.
O sonho de Inês tinha acontecido verdadeiramente, fora assassinada, deixado assim para trás a sua paixão e os frutos da mesma, os seus filhos.
Ao saber desta notícia, D. Pedro cai num grande choro, gritando e prometendo a Inês que iria fazer dela rainha.
Gostei muito deste livro, porque, na minha opinião, a história de Inês e Pedro é intemporal e nunca é demais ler sobre a mesma. Esta história de amor, que acaba de forma trágica, contraria as histórias de amor perfeitas e demasiado romantizadas, o que para mim é um ponto positivo, pois isto só prova que o amor da vida real é um sentimento que pode curar como também pode ferir.


O Alfageme de Santarém, de Almeida Garrett


Este é o segundo livro que leio da autoria de Almeida Garrett e digo-vos já que adorei ambas as obras.
Relativamente à obra Alfageme de Santarém, no meu ponto vista, esta história é extremamente interessante pelo facto de a obra nos transmitir uma mensagem, demonstrando-nos que devemos seguir o caminho da justiça/verdade assim como fez o próprio Fernão Vaz, sendo reconhecido então como Alfageme de Santarém por ser um homem humilde, honesto e determinado. Apesar de Fernão Vaz saber que não conseguiria alcançar alguns dos seus objetivos, nunca desistiu e foi à luta.
Este foi o motivo pelo qual esta obra fez despertar em mim um grande interesse porque, sinceramente, hoje em dia acho que não existem muitas pessoas tão sinceras como o Alfageme de Santarém.
Recomendo muito a leitura deste livro, porque acho que em algum aspeto pode ajudar alguma pessoa a reflectir sobre as suas atitudes e a procurar ser uma pessoa melhor.

terça-feira, 5 de maio de 2020

Tenório in Bichos, Miguel Torga




O conto que li tem como título «Tenório», é da autoria de Miguel Torga e encontra-se presente no livro Bichos.
Tal como os outros contos, o protagonista da história é um animal, neste caso, é um galo.
Ainda mal tinha acabado de nascer, os donos de Tenório já achavam que o mesmo iria ser um bom galo e, por isso, não iria estar sujeito ao destino de ser morto para os alimentar. Assim foi, Tenório cresceu forte, saudável e com umas lindas e coloridas penas das quais o mesmo se orgulhava, o mesmo se dizia da sua crista vermelha e dos enormes esporões das suas patas.
Tais características faziam com que Tenório fosse o verdadeiro «mulherengo» da capoeira, pois não havia galinha alguma que lhe resistisse.
O seu vozeirão fazia-se sentir tão claramente que até acabava por espantar os seus próprios donos. Mas, com o passar dos dias, Tenório sente-se inseguro e com receio ao perceber que a sua dona elogiava cada vez mais o seu filho, que herdara do pai a voz cristalina e o porte altivo, pois Tenório já se encontrava envelhecido.
Tudo isto piorou quando viu aproximar-se da capoeira a sua dona, que levava na mão uma faca. Prevendo o seu destino, Tenório soube que tinha chegado a sua hora.
Gostei muito deste conto, porque a vida humana pode ser comparada com a vida de Tenório. Todos temos um início e um fim e entre esse percurso estamos sujeitos também a ser substituídos.
Este conto também pode ser uma metáfora das pessoas que constantemente sentem necessidade de se sentirem únicas e superiores, esquecendo-se que todo o poder é efémero assim como a própria vida.

sexta-feira, 20 de março de 2020

Arquipélago, de Joel Neto


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O livro que li é da autoria de Joel Neto e tem como título Arquipélago.


Esta obra centra-se na historia de um homem, José Artur Drumonde, que tem a sua vida desorganizada em Lisboa, daí regressar para a Ilha da Terceira, ilha natal de onde partira com os seus pais após o sismo de 1980 (o qual este não sentiu), em busca de salvação para os seus problemas ,tais como a instabilidade da sua carreira, o seu divórcio e não ter um relacionamento muito saudável com o seu filho. Após encontrar a casa de seu avô na Terceira, começa a remodelá-la, encontrando um cadáver na cave e descobrindo, assim, segredos da sua família. Ao longo da obra, José consegue reconstruir um relacionamento saudável com a sua ex-mulher e com o seu filho, além de começar a trabalhar num projeto. 
Recomendo a leitura desta obra pois aborda temas curiosos, como rituais que implicam sacrifícios, o mito da Atlântida, o terramoto de 1980, etc. Além disso, e o autor utiliza uma linguagem popular, própria das ilhas, como a expressão “Home", o que torna esta obra muito mais interessante.

segunda-feira, 16 de março de 2020

Mensagem - Fernando Pessoa


A obra que li tem como título Mensagem e é da autoria de Fernando Pessoa.
Este livro no seu todo é uma obra constituída por inúmeros poemas, que têm como temática principal os feitos do povo português. Ao longo da obra é possível relacionar os poemas de Fernando Pessoa com a obra de Luís de Camões, Os Lusíadas. Escolhi esta obra essencialmente por ser de um autor muito conhecido a nível geral, mas desconhecido de mim, pois nunca tinha lido nenhum livro do mesmo. Embora esta seja a minha primeira vez a ler Fernando Pessoa, devo dizer que a sua escrita e principalmente a temática são muito interessantes.
Os poemas desta obra não apresentam continuidade, referindo-se a diversos episódios e personagens da história de Portugal. Todos estes visam glorificar os antepassados dos Portugueses. A fundação do reino português, os reis portugueses, os feitos que glorificaram o nosso país, destemidas personagens da história que se destacam pelo seu contributo para a afirmação do reino português, as descobertas marítimas e não marítimas realizadas, bem como a riqueza do reino português são os elementos fundamentais que contribuem para a temática desta obra.
Gostei muito da obra, essencialmente por glorificar o nosso país. Esta obra faz com que não nos esqueçamos da luta que os nossos antepassados tiveram até nós conhecermos o país como ele é hoje. É uma chamada de atenção aos mais esquecidos sobre quem um dia foi Portugal. Recomendo vivamente a leitura desta obra.

sábado, 7 de março de 2020

As Pupilas do Senhor Reitor - Júlio Dinis


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O livro que li tem como título As Pupilas do Senhor Reitor e é da autoria de Júlio Dinis.
Esta obra conta-nos a história de duas jovens irmãs, Clara e Margarida, que, como eram órfãs, estavam sob o cuidado e vigilância de um tutor escolhido pelos já falecidos pais. O senhor reitor, pároco da aldeia onde a história é narrada, tinha sido o escolhido. O mesmo era reconhecido por toda a população como uma pessoa de grande saber e influência. 
Ao mesmo tempo que nos é apresentada a história destas duas irmãs, há destaque para uma outra família, a de José das Dornas, lavrador abastado, que era viúvo e tinha dois filhos, Pedro e Daniel. 
Pedro, o mais velho, é sempre descrito como o mais forte e robusto e, pelo contrário, Daniel é apresentado como sendo o mais frágil e incapaz. 
Considerado o mais debilitado face às tarefas árduas de lavrador, Daniel é conduzido por seu pai e pelo senhor reitor ao mundo dos estudos, começando primeiramente pelo latim e caminhando mais tarde para a medicina, a qual teria de ser estudada no Porto, onde Daniel acaba por se tornar cirurgião. Com essa partida para o Porto, Daniel deixa para trás a sua infância, as suas memórias e principalmente a sua paixão, Margarida, sendo esta um dos principais motivos para a sua partida, visto que esse amor infantil não era de agrado nem do pai de Daniel, nem do tutor de Margarida.
Gostei muito deste livro, posso dizer que foi dos mais cativantes e interessantes que li até ao momento. Na minha leitura destacou-se sobretudo a personagem de Margarida, devido ao seu carácter benevolente que se manifesta nas suas atitudes moralmente corretas. Esta é também uma das razões para minha recomendação deste livro.